terça-feira, 17 de abril de 2012

Eu deveria estar satisfeito, com um carro na garagem, um emprego razoavel, e uma mulher para beijar minha testa enquanto tomo cafe e me desejar bom trabalho todas as manhas. Todos os dias planejamos ter filhos, mas nunca falamos sobre como seria se tivessemos.
 As vezes, enquanto estou no sofa descansando da vida, coloco o velho Frank pra tocar e surge um pouco de entusiasmo. Depois, claro, de algumas boas doses de whisky, enquanto nao tem mais nenhuma luz acesa, ja estou de pe, vendo seu rosto, me chamando, dancamos ao som dos velhos tempos. Como ela me deixa louco, como ela me tira do serio. Nao sei como ainda me recordo de suas velhas manias, acho que nunca tive muita vontade de esquece-la.
Finjo que estou sobrio e sento no sofa como se Freud pudesse entender porque eu me sinto um cara vazio. Nao posso falar nada, mas penso o quanto eu odeio aquele carro estacionado na garagem, as contas pagas, esses planos forcados, essa normalidade toda que tenho que seguir para esperar que as coisas sempre fiquem bem.  Talvez, propositalmente, ja no chao estava o copo todo esvidracado... E minha gentil esposa me abracando e perguntando o que estava acontecendo. Eu gostava daquilo, eu gostava da paz que ela me trazia, mas era tao pouco, era tao o mesmo, tao merda. Eu chorava, so pensava em voce, me desculpe minha querida.

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