Quando escolhemos um caminho, nem sempre a estrada é facil. Seguir em frente, me parece ser o maior obstaculo. Muitas vezes somos vencidos pelo cansaço e uma pedra no caminho, pode se tornar uma montanha.
Já não sei se me parece válido seguir ou parar por aqui.
Infelizmente, apesar de todos os pesares, os lugares onde passei, ficaram para trás, deram espaços a passos que levaram a uma estrada cada vez mais sem graça, cercada de dificultosas travessias. Cada obstaculo parecia um muro, talvez nem fossem tão grandes, mas minha falta de vontade de seguir em frente, me empedia de enxergar-los de outra maneira.
Tentei, tentei sim, tentei voltar atrás do caminho que havia escolhido, mas o atrás não voltava, e o que fiz do presente pra parecer passado , não ficou identico, se tornou um futuro desarrumado.
Nada adiantava, por onde passei, nunca mais passarei. Não acredito mais em um futuro como o meu passado, parece que o preterito é sempre perfeito, mesmo cada dia passando como presente, chega no passado como um dia mais bonito. Entendo que sou pessimista, mas me entendam que fui feliz.
Estou tentando continuar caminhando, continuar sorrindo e ouvindo a canção que os passarinhos querem me cantar. Mas sei, que aos poucos vou me despedindo, me apegando a parte mais velha do caminho que traçamos como vida, aos poucos vou criando raízes ao que deixei para trás que me impedem de sequer acreditar no futuro. Aos poucos deixo de ver obstaculos, aos poucos... serei só mais um obstaculo.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
Corrida do tempo
Na corrida do velho relógio, o tempo passa, os ponteiros alcançam o tempo, que se empatam, que se percorrem, que correm, que não param. Na corrida do tempo, eu morri estatica observando quem venceria...
é, eu perdi.
é, eu perdi.
Doença terminal.
E esse foi o diagnostico final. Uma doença terminal, sem cura.
Eu, que sempre fui saudável, nunca tive demais problemas; uma gripinha ali, um resfriado aqui, coisas totalmente normais, como poderia ter chegado a esse ponto? Como algo de tão grave poderia ter me acontecido? Pensava, enquanto o médico ia se levantando e explicando coisas que eu, sinceramente, não estava dando a mínima para entender. Não queria ouvir novamente essas desculpas esfarrapadas de médico que não sabe a cura mas tenta usar a psicologia como remédio. Bah! Façam-me o favor.
Então, depois de toda essa faladeira, ele se dirigiu a porta e querendo me expulsar do consultório de uma forma educada, disse:
- Desculpe-me, mas não esta ao meu alcançe resolver seu problema. Talvez se...
Foram as ultimas palavras que consegui ouvir. No corredor estava muito barulho e eu andava depressa, só pensando em chegar logo em casa, descansar, tentar me acalmar e por fim, entender tudo que estava acontecendo.
Depois de muito pensar e repensar, resolvir ir mais uma vez ao ultimo médico. Ele, já impaciente com a minha importunancia, logo me disse:
- Desculpe-me minha senhora, mas ja lhe disse que não posso resolver o seu caso. Sou cardiologista, sei que sofres do coração, mas sofrer de amor.
Eu, que sempre fui saudável, nunca tive demais problemas; uma gripinha ali, um resfriado aqui, coisas totalmente normais, como poderia ter chegado a esse ponto? Como algo de tão grave poderia ter me acontecido? Pensava, enquanto o médico ia se levantando e explicando coisas que eu, sinceramente, não estava dando a mínima para entender. Não queria ouvir novamente essas desculpas esfarrapadas de médico que não sabe a cura mas tenta usar a psicologia como remédio. Bah! Façam-me o favor.
Então, depois de toda essa faladeira, ele se dirigiu a porta e querendo me expulsar do consultório de uma forma educada, disse:
- Desculpe-me, mas não esta ao meu alcançe resolver seu problema. Talvez se...
Foram as ultimas palavras que consegui ouvir. No corredor estava muito barulho e eu andava depressa, só pensando em chegar logo em casa, descansar, tentar me acalmar e por fim, entender tudo que estava acontecendo.
Depois de muito pensar e repensar, resolvir ir mais uma vez ao ultimo médico. Ele, já impaciente com a minha importunancia, logo me disse:
- Desculpe-me minha senhora, mas ja lhe disse que não posso resolver o seu caso. Sou cardiologista, sei que sofres do coração, mas sofrer de amor.
terça-feira, 20 de julho de 2010
Uma gaiola minha.
A culpa não é de ninguem, é só minha e de antemão a assumo por inteira.
Não fui trancada em gaiola nenhuma, aos poucos me tranquei, como o curvar de um sabio, curvei-me para mim mesma e fiquei presa nos meus proprios erros, nos meus pensamentos mais distantes, o que parecia longe, ao redobrar do meu tronco, chocou-se, corpo e alma, alma e corpo.... Aos poucos eu deixei a minha imaginação se aprisionar, deixei que o amor pudesse sair andando sem olhar para trás com a certeza de que nunca o alcançaria, os passos mais distantes, as lagrimas seguiram.
Sem ter forças para voar, sabia que ia perdendo cada parte de mim, sabia o quanto doía... Ver o que me mantia ainda cantando alegremente para alguma esperança, partia, partia sem rumo, para longe de mim, partia a pé, partia e trazia meu fim. As minhas asas, não serviram de nada, ficaram imoveis, sabiam que poderiam voar mas não conseguiriam pegar de volta o que já não mais me pertencia.
Acabou, meu fim está começando, apesar de que todo inicio já é uma parte do fim, o meu fim começa agora. Aos poucos vou perdendo toda a graça, vou perdendo o meu rastro, perdendo a direção, cada vez mais presa em uma gaiola, cada vez mais presa em minhas atordoações, cada vez menor, cada vez menos, cada vez menos até definhar...
Então como presidiarios, tudo se liberta de mim, meus sentimentos vão saindo do meu corpo, pouco a pouco. Eu, continuo aqui, parada, olhando, cada parte de mim ir embora, o amor e o odio, a alegria e a tristeza, o ciumes e a confiança, o canto e o silencio. Tudo, de maneira brutal me abandona. Me conformo, pra mim não há mais saida dessa gaiola psicológica, não existem mais droga nenhuma, somente um vazio profundo, branco e sem graça. Não adianta mais sol, não adianta mais nada. Agora meu coração se fecha....
Agora minhas asas se foram, o meu amor, bateu asas e voo e sem ele, eu sou um passarinho sem asas, sem graça.
Não fui trancada em gaiola nenhuma, aos poucos me tranquei, como o curvar de um sabio, curvei-me para mim mesma e fiquei presa nos meus proprios erros, nos meus pensamentos mais distantes, o que parecia longe, ao redobrar do meu tronco, chocou-se, corpo e alma, alma e corpo.... Aos poucos eu deixei a minha imaginação se aprisionar, deixei que o amor pudesse sair andando sem olhar para trás com a certeza de que nunca o alcançaria, os passos mais distantes, as lagrimas seguiram.
Sem ter forças para voar, sabia que ia perdendo cada parte de mim, sabia o quanto doía... Ver o que me mantia ainda cantando alegremente para alguma esperança, partia, partia sem rumo, para longe de mim, partia a pé, partia e trazia meu fim. As minhas asas, não serviram de nada, ficaram imoveis, sabiam que poderiam voar mas não conseguiriam pegar de volta o que já não mais me pertencia.
Acabou, meu fim está começando, apesar de que todo inicio já é uma parte do fim, o meu fim começa agora. Aos poucos vou perdendo toda a graça, vou perdendo o meu rastro, perdendo a direção, cada vez mais presa em uma gaiola, cada vez mais presa em minhas atordoações, cada vez menor, cada vez menos, cada vez menos até definhar...
Então como presidiarios, tudo se liberta de mim, meus sentimentos vão saindo do meu corpo, pouco a pouco. Eu, continuo aqui, parada, olhando, cada parte de mim ir embora, o amor e o odio, a alegria e a tristeza, o ciumes e a confiança, o canto e o silencio. Tudo, de maneira brutal me abandona. Me conformo, pra mim não há mais saida dessa gaiola psicológica, não existem mais droga nenhuma, somente um vazio profundo, branco e sem graça. Não adianta mais sol, não adianta mais nada. Agora meu coração se fecha....
Agora minhas asas se foram, o meu amor, bateu asas e voo e sem ele, eu sou um passarinho sem asas, sem graça.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Abordo de um naufragio.
Havia me perdido em uma ilha, rodeada de um mar, uma imensidão de água, uma imensidão de lágrimas. Sem mais no que ter em acreditar, via nas correntezas a esperança ser levada pelo mar. Cada onda que quebrava na areia, era uma parte de mim que se despedaçava... estava cercada de desilusões.
Se aproximava de mim, uma tempestade, uma revolta da natureza. Pensei, uns com tanto medo, eu aqui admirando a fúria e o controle que ela exerce sobre tudo. Nós somos cegos, achamos que temos o mundo nas nossas mãos. Pois o mundo não tem mãos e nos tem. Somos como um temporal, quando se está de passagem, arrasta tudo consigo de uma forma brutal. Choramos chuva, corremos como vento, transpiramos gotas do mar, brotamos esperança como uma flor a se desabroxar, misturamos de todas as formas que a natureza se apresenta em um só corpo, em um só caos. E vivemos assim, nos transformando, nos destruindo e nos reconstruindo.
Ando vivendo em uma ilha deserta, perdi meus sentimentos, perdi minha vontade de viver, perdi a fome, perdi a sede, perdi meu coração, me perdi.
Buscava então, em qualquer direção... você, vindo diretamente pra mim, para me tirar desse naufragio, desse mar sem fim... Sabia que estava me afogando na minha propria esperança, me perdendo no meu amor... sabia que iria tudo se acabar, e toda minha inspiração, iria ser levada pelo mar.
Então foi assim que nadando em lágrimas, morri em uma parte seca da ilha, morria uma parte seca da ilha.
Se aproximava de mim, uma tempestade, uma revolta da natureza. Pensei, uns com tanto medo, eu aqui admirando a fúria e o controle que ela exerce sobre tudo. Nós somos cegos, achamos que temos o mundo nas nossas mãos. Pois o mundo não tem mãos e nos tem. Somos como um temporal, quando se está de passagem, arrasta tudo consigo de uma forma brutal. Choramos chuva, corremos como vento, transpiramos gotas do mar, brotamos esperança como uma flor a se desabroxar, misturamos de todas as formas que a natureza se apresenta em um só corpo, em um só caos. E vivemos assim, nos transformando, nos destruindo e nos reconstruindo.
Ando vivendo em uma ilha deserta, perdi meus sentimentos, perdi minha vontade de viver, perdi a fome, perdi a sede, perdi meu coração, me perdi.
Buscava então, em qualquer direção... você, vindo diretamente pra mim, para me tirar desse naufragio, desse mar sem fim... Sabia que estava me afogando na minha propria esperança, me perdendo no meu amor... sabia que iria tudo se acabar, e toda minha inspiração, iria ser levada pelo mar.
Então foi assim que nadando em lágrimas, morri em uma parte seca da ilha, morria uma parte seca da ilha.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
Um encontro com a morte.
Nunca tive medo da morte. Em meus tantos anos de vida, ela nunca me propôs apostar o quanto valia continuar aqui, sabia que viveria muito e vivi. Graças a algo que eu não sei, talvez a minha vitrola e todos os discos que infinitamente tocavam, dando a dança de cada dia. Mas hoje, hoje algo está estranho, um medo de partir me consumia. Sabia que meu tempo de farra havia acabado e talvez no fundo no fundo, houvesse uma vontade de reviver minhas lembranças primordias, primarias, primeiras.As minhas tantas mulheres, tantas garrafas, tantas apostas, tantos cigarros. Queria rever alguns rostos, queria relembrar alguns gostos. Sentir o meu potencial de jovem de novo.
Eu vivi um dia de cada vez, sem me preocupar muito com o amanhã, vivi bem, provei de todos os vinhos e de todas as malicias da vida, fui permitido a viver muito, viver de tudo. Vivi, e não tinha medo que me levasse, saberia que um dia chegaria a hora de todos, e acabaria por ai , não poderiamos fazer mais nada. E tambem, no final das contas, não havia nada a que eu me apegasse, era tudo uma breve passagem. Era uma vida de aproveitos, uma vida boa, de varios romances, varios tragos, varias bebidas, varias entradas e varias saidas.
Mas hoje eu sei, que o amor que descobri por minha velha, me faz querer viver, me faz reviver, me faz ver. Rebelde que era, apaixonado que sou. Começo agora uma nova vida, ao lado de uma nova pessoa.
Então, por que agora, justo agora, queres me levar? Sei que estou um pouco velho pra continuar, sei que preciso partir, mas tenho algo que eu não posso deixar para trás, não mesmo. Descobri o amor e a força que ele tem, descobri que ele, mais do que qualquer vontade, do que qualquer gravidade, qualquer coisa, nos prende e me puxa a esse mundo, e eu não posso o deixar. Estou começando uma nova vida, estou caminhando de um novo jeito, sei que é tarde, mais ainda é tempo!
Não deu, a morte soltou a mão da minha velha da minha e me levou. Era o meu fim, um fim inperduoso, incredulo, um fim injusto. Então, ela desligou a minha vitrola e disse:
- Agora, você dança conforme a minha música. O amor não tem idade, mas a vida tem tempo, e viver tem pressa. E a vida meu caro, não é feita de mulheres e cigarros, antes de se começar a viver qualquer coisa, é preciso ter a consciencia de que se está vivendo, não importa como escolha viver... Tantos cometem o mesmo erro que você e chegam no final da vida com a leve impressão de que se faltou algo, talvez tenha faltado a razão de se está vivo. E entretanto no final da festa, só quem se vai é você e a valsa termina sendo minha, e essa música eu sei dançar de cor.
Eu vivi um dia de cada vez, sem me preocupar muito com o amanhã, vivi bem, provei de todos os vinhos e de todas as malicias da vida, fui permitido a viver muito, viver de tudo. Vivi, e não tinha medo que me levasse, saberia que um dia chegaria a hora de todos, e acabaria por ai , não poderiamos fazer mais nada. E tambem, no final das contas, não havia nada a que eu me apegasse, era tudo uma breve passagem. Era uma vida de aproveitos, uma vida boa, de varios romances, varios tragos, varias bebidas, varias entradas e varias saidas.
Mas hoje eu sei, que o amor que descobri por minha velha, me faz querer viver, me faz reviver, me faz ver. Rebelde que era, apaixonado que sou. Começo agora uma nova vida, ao lado de uma nova pessoa.
Então, por que agora, justo agora, queres me levar? Sei que estou um pouco velho pra continuar, sei que preciso partir, mas tenho algo que eu não posso deixar para trás, não mesmo. Descobri o amor e a força que ele tem, descobri que ele, mais do que qualquer vontade, do que qualquer gravidade, qualquer coisa, nos prende e me puxa a esse mundo, e eu não posso o deixar. Estou começando uma nova vida, estou caminhando de um novo jeito, sei que é tarde, mais ainda é tempo!
Não deu, a morte soltou a mão da minha velha da minha e me levou. Era o meu fim, um fim inperduoso, incredulo, um fim injusto. Então, ela desligou a minha vitrola e disse:
- Agora, você dança conforme a minha música. O amor não tem idade, mas a vida tem tempo, e viver tem pressa. E a vida meu caro, não é feita de mulheres e cigarros, antes de se começar a viver qualquer coisa, é preciso ter a consciencia de que se está vivendo, não importa como escolha viver... Tantos cometem o mesmo erro que você e chegam no final da vida com a leve impressão de que se faltou algo, talvez tenha faltado a razão de se está vivo. E entretanto no final da festa, só quem se vai é você e a valsa termina sendo minha, e essa música eu sei dançar de cor.
terça-feira, 6 de julho de 2010
Voa comigo.
Desce do ar
vem me acompanhar
nesse voo que não parece ter fim
Me leva contigo
como nas asas de um querumbim
Aterriza na minha pista
me traz um sonho para construção
atrevessemos as nuvens
nas asas de um avião
Me devolva a felicidade
ainda mais, a inspiração
devolva todas as batidas
as quais pela vivem meu coração
Deslizaremos no ar
fugiremos nós dois
Conheceremos um céu de toda a cor
Nenhum mundo vai ser tão grande
quando voarmos com as asas
sustendadas pelo nosso amor.
vem me acompanhar
nesse voo que não parece ter fim
Me leva contigo
como nas asas de um querumbim
Aterriza na minha pista
me traz um sonho para construção
atrevessemos as nuvens
nas asas de um avião
Me devolva a felicidade
ainda mais, a inspiração
devolva todas as batidas
as quais pela vivem meu coração
Deslizaremos no ar
fugiremos nós dois
Conheceremos um céu de toda a cor
Nenhum mundo vai ser tão grande
quando voarmos com as asas
sustendadas pelo nosso amor.
sábado, 3 de julho de 2010
A ultima cena.
Uma taça de vinho derramada no chão, foi só isso que eu enxerguei.
Sim, ele havia saido correndo, não aguentou a noticia de uma traição. Ah, Rodolfo, como você é fraco, não aguentou um deslize meu, e já saiu feito louco, aposto que logo estará dormindo na rua, com a cara cheia de cachaça. Seu fraco de merda, era isso que queria ter lhe dito nesse cassino, mas você tão covarde fugiu.
- Não, não Carlota, eu não fugi, estava aqui atrás de você, ouvindo sua raiva oculta de mim. Me trais, e ainda por cima me odeias?
Tinha vontade de mata-lo, mas não irei chegar a tanto, me falta coragem. Sem graça de certa forma, respondi:
- Não gosto de homens fracos como você. Você não me da tudo que eu preciso.
- Sim, sou um froxo, me derreto fácil ao seu perfume, ao seu jeito, ao seu olhar e esse cigarro pendurado de uma forma tão excitante em sua boca.
- Idiota, meu desprezo, é tudo isso que você merece, não aguenta nem uma traição ao menos, que tipo de homem acha que é?. Dito isso, rumei-lhe uma taça de vinho no rosto.
- Ah Carlota, você me deixa louco! Sou o tipo de homem que você adora e não rejeita, só não assume, para continuar com essa sua pose de sedutora. Acha mesmo, que essa taça de vinho desperdiçada vai me enraivar? Ou acha que eu voltei por que? Só para te levar pra cama mais uma vez?
- Seu, seu... cretino. Saia daqui, sabe que eu não suporto sua presença.
- Te incomoda tanto o meu charme?
Soltei uma risada extravagante, e perguntei-lhe:
- CHARME? Faça me rir, Rodolfo.
Estava ficando louca, só pode, como se algo me puxasse, começava a chegar perto dele, precisava o tocar. Acho que bebi demais. Mas decidi, peguei a ultima taça, pronto, só mais uma, não vai me fazer mal, estou bem, estou bem.
- Chega Carlota, assuma logo que você me deseja e tenta esconder tudo isso atrás dessas suas taças de vinho.
- E se eu te desejar mesmo? Do que você seria capaz? O que eu preciso não é alguem que queime o meu fogo. É alguem que apague o meu amor, esse amor cruel que queima dentro de mim e chama por você, seu idiota.
Impressionantemente, ele me beijou. Não, não foi impressionante, eu sabia que ele cederia as minhas provocações e sabia que era ai que eu queria chegar, ele também sabia que eu podia trai-lo, mas não aguentaria perde-lo. Abreçei-o, me desculpei, pedi perdão, e ele sussurou que tinha medo de se entregar e não ser correspondido, já que eu vivia cercada de tantos homens. Não achou que eu pudesse me apaixonar logo por ele, um zé ninguem da vida.
Derredita com tudo que havia ouvido, deixei minha ultima taça de vinho cair, e foi assim que ela foi parar no chão.
Sim, ele havia saido correndo, não aguentou a noticia de uma traição. Ah, Rodolfo, como você é fraco, não aguentou um deslize meu, e já saiu feito louco, aposto que logo estará dormindo na rua, com a cara cheia de cachaça. Seu fraco de merda, era isso que queria ter lhe dito nesse cassino, mas você tão covarde fugiu.
- Não, não Carlota, eu não fugi, estava aqui atrás de você, ouvindo sua raiva oculta de mim. Me trais, e ainda por cima me odeias?
Tinha vontade de mata-lo, mas não irei chegar a tanto, me falta coragem. Sem graça de certa forma, respondi:
- Não gosto de homens fracos como você. Você não me da tudo que eu preciso.
- Sim, sou um froxo, me derreto fácil ao seu perfume, ao seu jeito, ao seu olhar e esse cigarro pendurado de uma forma tão excitante em sua boca.
- Idiota, meu desprezo, é tudo isso que você merece, não aguenta nem uma traição ao menos, que tipo de homem acha que é?. Dito isso, rumei-lhe uma taça de vinho no rosto.
- Ah Carlota, você me deixa louco! Sou o tipo de homem que você adora e não rejeita, só não assume, para continuar com essa sua pose de sedutora. Acha mesmo, que essa taça de vinho desperdiçada vai me enraivar? Ou acha que eu voltei por que? Só para te levar pra cama mais uma vez?
- Seu, seu... cretino. Saia daqui, sabe que eu não suporto sua presença.
- Te incomoda tanto o meu charme?
Soltei uma risada extravagante, e perguntei-lhe:
- CHARME? Faça me rir, Rodolfo.
Estava ficando louca, só pode, como se algo me puxasse, começava a chegar perto dele, precisava o tocar. Acho que bebi demais. Mas decidi, peguei a ultima taça, pronto, só mais uma, não vai me fazer mal, estou bem, estou bem.
- Chega Carlota, assuma logo que você me deseja e tenta esconder tudo isso atrás dessas suas taças de vinho.
- E se eu te desejar mesmo? Do que você seria capaz? O que eu preciso não é alguem que queime o meu fogo. É alguem que apague o meu amor, esse amor cruel que queima dentro de mim e chama por você, seu idiota.
Impressionantemente, ele me beijou. Não, não foi impressionante, eu sabia que ele cederia as minhas provocações e sabia que era ai que eu queria chegar, ele também sabia que eu podia trai-lo, mas não aguentaria perde-lo. Abreçei-o, me desculpei, pedi perdão, e ele sussurou que tinha medo de se entregar e não ser correspondido, já que eu vivia cercada de tantos homens. Não achou que eu pudesse me apaixonar logo por ele, um zé ninguem da vida.
Derredita com tudo que havia ouvido, deixei minha ultima taça de vinho cair, e foi assim que ela foi parar no chão.
A ultima valsa.
Lembra quando era só nós dois? Quando dançavamos juntos, abraçados, ao som de um vinil que quase arranhado, repetia a nossa canção, dançavamos como se fosse da primeira vez, sem perder o encanto, e dançavamos como dois jovens, como quem não tivesse vivido e que tivesse a espera da vida?! Se não bastasse a nossa idade, cada vez que a musica tocava, renascia em mim mais amor por você, um amor tão jovial, que me fazia sentir em plena adolescencia. Eu parava, olhando pros seus olhos, via o quanto você continuava ali, com 19 anos, ou melhor no auge dos 75, e com o mesmo jeito de antes, me segurando como se eu não pudesse escapar, me olhando como se estivesse a desejar, tão meu, tão meu, ah meu velho, você consegue reascender a chama da paixão que em 64 anos sempre esteve acesa, mesmo que em brasa. Olho para os nossos netos, fruto de um amor tão intenso, quanto tudo que passamos, olho para a nossa casa, tão cheia, cheia de recordações, cheia de amor, olho agora pra você deitado nessa cama, dormindo em um sono tão profundo, sera que está sonhando com o nosso passdo? com tudo que já vivemos? Ah meu velho, acorde, vamos correr com os meninos! Eu repetia. Por que? Por que você não acordava? O sonho estava tão bom assim? Será que doia, está acordado e saber que o nosso tempo já passou, que estava tudo pra acabar? Mas chega, chega amor, chega de dormir, essa é a realidade, vamos viver o tempo que nos resta, acorde, o café está na mesa, eu repetia, e nada... Me desesperei, pousei então a cabeça no seu coração e ... é amor, o nosso sonho acabou, agora doi, doi em mim, doi o fim. Segurei seu braço, apoiei-o no meu corpo, e como em despedida, dançamos a ultima valsa.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
Gaiola de solidão
Ando me sentindo como um passarinho na gaiola, meus vôôs estão cada vez mais presos, mais rasteiros, mais sem graças, meus pés cada vez mais no chão, logo eu, que fui feita pra voar... Para alcançar o céu nas asas das poesias, e descansar na terra as inquietitudes das minhas palavras. Eu, que nunca pertenci a nada, agora me pergunto, se robei algo que não era meu, vooei aonde não podia. Porque qual seria o motivo para terem me prendido? Para terem roubado meus sonhos e aprisionado minha inspiração? Roubado a graça de um passaro livre na imensidão?E meu direito de liberdade?
-Ah, ele?! Bateu asas e voou.
-Ah, ele?! Bateu asas e voou.
Da minha janela
Da minha janela, eu vejo o mundo lá fora se alternar em cores, uma hora escuro, logo claro e de novo escuro, e assim o tempo passa, seguindo essa mesma alternância. Vejo da minha janela, outras tantas janelas, que parecem viver baseadas nessa costumeira aparição, sem nenhuma perspectiva, ou simplesmente entregues ao fato de que a escuridão tratara de acolhe-las. Sem nenhum interesse, repetidas janelas parecem não dar muita importância aos diferentes contrastes entre o claro e o escuro, e tudo que ali se ofusca. Nada muda a rotina daquelas velhas janelas, que se afogam em uma passagem de tempo, marcada pela mudança de cores, cores simplesmente ignoradas... Janelas, janelas, uma porta pro mundo, fechada para dentro, onde nada entra, só o raiar do dia e o silêncio da noite, fico eu, a espera de um arco-íris.
Protagonista de um filme inutil.
Desde que percebi ser personagem de um filme bibliografico, não consegui mais realizar meu papel direito, pareço agora esta preocupada com um certo telespectador, o qual andava ali, me observando, assistindo a todas minhas interpretações, a cada encenação. Mas o que posso fazer?! Desde que o roteiro saiu das minhas mãos e foram parar nos olhos de quem puder ver, estive sujeita a criticas ...
No fundo, no fundo, aquele garoto me chamou mais atenção do que qualquer um, não queria agir feio pra ele, algo me fazia sentir vergonha: como agir? como agir? Me importunava a minha mente. Esse papel de atuar, ja exige de mim a espontaneadade de agir sendo sem ser, saberia eu não ser, sendo? Seria agora o fim de meu papel como atriz? Seria a decadencia de uma carreira? A carencia de uma vida? Mas e todos aqueles roteiros, e todos aqueles planos? Por um instante me vi perdida, e vi meu filme passar por mim, e ainda mais, vi meu fim, um fim que não poderia escrever, um filme que não pude descrever...
De repente, ele chegou do meu lado e perguntou se estava bem, fiquei sem graça, ajeitei meu cachecol, deveria está parecendo uma louca na rua, girando em volta de mim mesma, me fazendo perguntas, droga, que boba que sou! Então, segurou no meu ombro e soou uma cantada, que por mais idiota que pareça, foi a melhor coisa que ele poderia ter dito.
- "Não importa como o filme termine, se estou com você sempre terá um final feliz."
No fundo, no fundo, aquele garoto me chamou mais atenção do que qualquer um, não queria agir feio pra ele, algo me fazia sentir vergonha: como agir? como agir? Me importunava a minha mente. Esse papel de atuar, ja exige de mim a espontaneadade de agir sendo sem ser, saberia eu não ser, sendo? Seria agora o fim de meu papel como atriz? Seria a decadencia de uma carreira? A carencia de uma vida? Mas e todos aqueles roteiros, e todos aqueles planos? Por um instante me vi perdida, e vi meu filme passar por mim, e ainda mais, vi meu fim, um fim que não poderia escrever, um filme que não pude descrever...
De repente, ele chegou do meu lado e perguntou se estava bem, fiquei sem graça, ajeitei meu cachecol, deveria está parecendo uma louca na rua, girando em volta de mim mesma, me fazendo perguntas, droga, que boba que sou! Então, segurou no meu ombro e soou uma cantada, que por mais idiota que pareça, foi a melhor coisa que ele poderia ter dito.
- "Não importa como o filme termine, se estou com você sempre terá um final feliz."
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