quinta-feira, 8 de julho de 2010

Abordo de um naufragio.

Havia me perdido em uma ilha, rodeada de um mar, uma imensidão de água, uma imensidão de lágrimas. Sem mais no que ter em acreditar, via nas correntezas a esperança ser levada pelo mar. Cada onda que quebrava na areia, era uma parte de mim que se despedaçava... estava cercada de desilusões.
Se aproximava de mim, uma tempestade, uma revolta da natureza. Pensei, uns com tanto medo, eu aqui admirando a fúria e o controle que ela exerce sobre tudo. Nós somos cegos, achamos que temos o mundo nas nossas mãos. Pois o mundo não tem mãos e nos tem. Somos como um temporal, quando se está de passagem, arrasta tudo consigo de uma forma brutal. Choramos chuva, corremos como vento, transpiramos gotas do mar, brotamos esperança como uma flor a se desabroxar, misturamos de todas as formas que a natureza se apresenta em um só corpo, em um só caos. E vivemos assim, nos transformando, nos destruindo e nos reconstruindo.
Ando vivendo em uma ilha deserta, perdi meus sentimentos, perdi minha vontade de viver, perdi a fome, perdi a sede, perdi meu coração, me perdi.
Buscava então, em qualquer direção... você, vindo diretamente pra mim, para me tirar desse naufragio, desse mar sem fim... Sabia que estava me afogando na minha propria esperança, me perdendo no meu amor... sabia que iria tudo se acabar, e toda minha inspiração, iria ser levada pelo mar.
Então foi assim que nadando em lágrimas, morri em uma parte seca da ilha, morria uma parte seca da ilha.

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