sábado, 3 de julho de 2010
A ultima valsa.
Lembra quando era só nós dois? Quando dançavamos juntos, abraçados, ao som de um vinil que quase arranhado, repetia a nossa canção, dançavamos como se fosse da primeira vez, sem perder o encanto, e dançavamos como dois jovens, como quem não tivesse vivido e que tivesse a espera da vida?! Se não bastasse a nossa idade, cada vez que a musica tocava, renascia em mim mais amor por você, um amor tão jovial, que me fazia sentir em plena adolescencia. Eu parava, olhando pros seus olhos, via o quanto você continuava ali, com 19 anos, ou melhor no auge dos 75, e com o mesmo jeito de antes, me segurando como se eu não pudesse escapar, me olhando como se estivesse a desejar, tão meu, tão meu, ah meu velho, você consegue reascender a chama da paixão que em 64 anos sempre esteve acesa, mesmo que em brasa. Olho para os nossos netos, fruto de um amor tão intenso, quanto tudo que passamos, olho para a nossa casa, tão cheia, cheia de recordações, cheia de amor, olho agora pra você deitado nessa cama, dormindo em um sono tão profundo, sera que está sonhando com o nosso passdo? com tudo que já vivemos? Ah meu velho, acorde, vamos correr com os meninos! Eu repetia. Por que? Por que você não acordava? O sonho estava tão bom assim? Será que doia, está acordado e saber que o nosso tempo já passou, que estava tudo pra acabar? Mas chega, chega amor, chega de dormir, essa é a realidade, vamos viver o tempo que nos resta, acorde, o café está na mesa, eu repetia, e nada... Me desesperei, pousei então a cabeça no seu coração e ... é amor, o nosso sonho acabou, agora doi, doi em mim, doi o fim. Segurei seu braço, apoiei-o no meu corpo, e como em despedida, dançamos a ultima valsa.
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