A culpa não é de ninguem, é só minha e de antemão a assumo por inteira.
Não fui trancada em gaiola nenhuma, aos poucos me tranquei, como o curvar de um sabio, curvei-me para mim mesma e fiquei presa nos meus proprios erros, nos meus pensamentos mais distantes, o que parecia longe, ao redobrar do meu tronco, chocou-se, corpo e alma, alma e corpo.... Aos poucos eu deixei a minha imaginação se aprisionar, deixei que o amor pudesse sair andando sem olhar para trás com a certeza de que nunca o alcançaria, os passos mais distantes, as lagrimas seguiram.
Sem ter forças para voar, sabia que ia perdendo cada parte de mim, sabia o quanto doía... Ver o que me mantia ainda cantando alegremente para alguma esperança, partia, partia sem rumo, para longe de mim, partia a pé, partia e trazia meu fim. As minhas asas, não serviram de nada, ficaram imoveis, sabiam que poderiam voar mas não conseguiriam pegar de volta o que já não mais me pertencia.
Acabou, meu fim está começando, apesar de que todo inicio já é uma parte do fim, o meu fim começa agora. Aos poucos vou perdendo toda a graça, vou perdendo o meu rastro, perdendo a direção, cada vez mais presa em uma gaiola, cada vez mais presa em minhas atordoações, cada vez menor, cada vez menos, cada vez menos até definhar...
Então como presidiarios, tudo se liberta de mim, meus sentimentos vão saindo do meu corpo, pouco a pouco. Eu, continuo aqui, parada, olhando, cada parte de mim ir embora, o amor e o odio, a alegria e a tristeza, o ciumes e a confiança, o canto e o silencio. Tudo, de maneira brutal me abandona. Me conformo, pra mim não há mais saida dessa gaiola psicológica, não existem mais droga nenhuma, somente um vazio profundo, branco e sem graça. Não adianta mais sol, não adianta mais nada. Agora meu coração se fecha....
Agora minhas asas se foram, o meu amor, bateu asas e voo e sem ele, eu sou um passarinho sem asas, sem graça.
Nenhum comentário:
Postar um comentário