sábado, 3 de julho de 2010

A ultima cena.

Uma taça de vinho derramada no chão, foi só isso que eu enxerguei.
Sim, ele havia saido correndo, não aguentou a noticia de uma traição. Ah, Rodolfo, como você é fraco, não aguentou um deslize meu, e já saiu feito louco, aposto que logo estará dormindo na rua, com a cara cheia de cachaça. Seu fraco de merda, era isso que queria ter lhe dito nesse cassino, mas você tão covarde fugiu.
- Não, não Carlota, eu não fugi, estava aqui atrás de você, ouvindo sua raiva oculta de mim. Me trais, e ainda por cima me odeias?
Tinha vontade de mata-lo, mas não irei chegar a tanto, me falta coragem. Sem graça de certa forma, respondi:
- Não gosto de homens fracos como você. Você não me da tudo que eu preciso.
- Sim, sou um froxo, me derreto fácil ao seu perfume, ao seu jeito, ao seu olhar e esse cigarro pendurado de uma forma tão excitante em sua boca.
- Idiota, meu desprezo, é tudo isso que você merece, não aguenta nem uma traição ao menos, que tipo de homem acha que é?. Dito isso, rumei-lhe uma taça de vinho no rosto.
- Ah Carlota, você me deixa louco! Sou o tipo de homem que você adora e não rejeita, só não assume, para continuar com essa sua pose de sedutora. Acha mesmo, que essa taça de vinho desperdiçada vai me enraivar? Ou acha que eu voltei por que? Só para te levar pra cama mais uma vez?
- Seu, seu... cretino. Saia daqui, sabe que eu não suporto sua presença.
- Te incomoda tanto o meu charme?
Soltei uma risada extravagante, e perguntei-lhe:
- CHARME? Faça me rir, Rodolfo.
Estava ficando louca, só pode, como se algo me puxasse, começava a chegar perto dele, precisava o tocar. Acho que bebi demais. Mas decidi, peguei a ultima taça, pronto, só mais uma, não vai me fazer mal, estou bem, estou bem.
- Chega Carlota, assuma logo que você me deseja e tenta esconder tudo isso atrás dessas suas taças de vinho.
- E se eu te desejar mesmo? Do que você seria capaz? O que eu preciso não é alguem que queime o meu fogo. É alguem que apague o meu amor, esse amor cruel que queima dentro de mim e chama por você, seu idiota.
Impressionantemente, ele me beijou. Não, não foi impressionante, eu sabia que ele cederia as minhas provocações e sabia que era ai que eu queria chegar, ele também sabia que eu podia trai-lo, mas não aguentaria perde-lo. Abreçei-o, me desculpei, pedi perdão, e ele sussurou que tinha medo de se entregar e não ser correspondido, já que eu vivia cercada de tantos homens. Não achou que eu pudesse me apaixonar logo por ele, um zé ninguem da vida.
Derredita com tudo que havia ouvido, deixei minha ultima taça de vinho cair, e foi assim que ela foi parar no chão.

2 comentários:

  1. Ei Clara, li tudinho tá,e vai minha humilde opinião, 'cachaça' é 'ch', ok, sugiro que mude pra whisky,algo mais sedutor, que combine com o personagem e o tom elegante do texto e ao ambiente meio americano (ao meu ver. Hmm,sobre o texto achei interessante, seria como um amor em que há um tipo de 'medo' não sei explicar , de assumir um ao outro, o que aumenta o lado sedutor, principalmente da personagem feminina, apesar que depois ela não resiste. Beijo

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  2. Obrigada Léo, mas eu acho que cachaça da aquele maior ar de bebedeira, de afogar as magoas todas numa coisa tão barata, não sei muito bem como explicar. Mas valeu do mesmo jeito :)

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