quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Era um jardim, um jardim imenso, rosas imensas, sonhos pequenos. Ela era uma menina ainda, uma protetora da infancia, nada de celulares, maquiagem ou qualquer merda do tipo. Andava com aqueles sapatinhos graciosos, laço de fita, vestido de xita. Era tão linda...
Agora, um jardim pequeno, conhecido, rosas se desabrochando, alguns espinhos. Ela, uma menina, sem definições proprias. Estava de calça jeans e blusa. Sorria, dois fones em seus ouvidos pareciam a tirar desse mundo. Ela olhava pra a escada da rua, ria, chorava, agradecia e se perguntava, o por que de tao rápido? Ela se abraçava a suas lembranças e sorria por ainda as ter, mas chorava por as ter como memória.
Era um amor, amor por um garoto, amor por uma vida, um passado, pessoas antigas. Era muito mais muito amor, foram exatamente dois anos. Dois anos que nao viu passar, ou viu, mas muito depressa. Aos poucos ela perdeu graça, ganhou forma, corpo, malicia, desejos. Começava aquelas bentidas transformações de adolescentes, espinhas, complexos, sentimentos aflorados e muitos outros transtornos.
Um dia, eu a peguei se olhando no espelho e se procurando. Acho que ela não se enxergava, nao se reconhecia. Mas o tempo continuou a passar e ela continuou menina, continuou com alguns hábitos, como o de ler gibis enquanto come, sorrir enquanto fala, ser amiga enquanto pode. Deixou um amor pra trás, aprendeu com o sofrimento e amadureceu com experiencias, como qualquer ser humano em sua sanidade, faz, prossegue a vida. Ela não sabia que tudo tinha seu momento e quando percebeu que dois anos haviam se passado em apenas alguns dias, o mundo havia caido. Lembro dela não saber se enlouquecia, ou tentava manter a calma, na esperança de que tudo voltaria como era antes. Sairía de casa e se depararía com aquela escada cheio de rostos tão conhecidos, agora perdidos... Mas não, não voltou. Bom, sofrer, ela sofreu, não havia perdido só eles, havia perdido tudo, não existia mais escadas.
Bom, a vida continuou seu rumo. Hoje eu a ando observando, como cresceu, mal se reconhece se comparando ao seu passado. Continua uma menina, agora um pouco mais confusa, mais firme, distante e cheia de paradoxos. Perdeu um pouco da sua educação, ganhou um pouco de frustração. Mas o principal, hoje ela tem amor, amor que lhe faltou a dois anos atrás. Conheceu novas pessoas e me parece feliz por esse ano.
Essa sou, na minha descrição infeliz de terceira pessoal do singular.

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