Mais uma vez eu havia saído, deixando tudo para trás, correndo para beira de uma praia, so com minha velha mochila nas costas e meu casaco do qual nao me desgrudava.
- Filho, eu já falei mil vezes que quando voce for sair, me avise, oras. Se acontecer alguma coisa, como eu vou saber?
- Relaxa mãe, nao vai acontecer nada.
- O mundo é perigoso, eu confio em voce meu amor, mas não confio é nos outros.
- Mãe, eu já sou bem grandinho e sei me cuidar, valeu?
Diabos, as pessoas sempre se metem na hora errada em nossas vidas, elas simplismente nao entendem o quanto é necessario pra uma mente cheia de problemas, ficar sozinho, esfriar a cabeça, fixar os pensamentos. Quer saber, foda-se, nao fico nem mais um minuto aqui, chega... Já me prendi demais por nao ter tido coragem, ou eu me jogo agora, ou eu vou continuar criando raízes a uma terra que já nao é mais fértil.
- Senhor policial, meu filho saiu de casa as 3 da tarde, são quase meia noite, ele não é de demorar na rua, deve ter acontecido alguma coisa, por favor, me ajude.
- Calma senhora, voce sabe onde ele costuma ir? Lugares que ele vai frequentemente?
- Não, nao... ele sempre sai de casa sem me avisar. Oh, Jesus Cristo, proteja esse menino, pelo amor de Deus.
Ah mãe, espero que um dia a senhora entenda o que eu fiz e me aceite novamente. Eu sei que nós vamos sofrer muito, mas era o que eu queria, o que eu precisava. Minhas idas ao mundo já nao faziam mais sentido, eu girava, girava e continuava a me perder no mesmo lugar, sempre, sem nenhuma mudança. Eu precisava devolver esse casaco a sua respectiva dona, precisava encontra-la novamente, não sei o que deu em mim, mas quando percebi, já estava alucinado por ela e nada mais fazia sentido se nao a tivesse do meu lado... Bom, não se preocupe comigo, eu estou bem e ela esta aqui te mandando beijos.
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