Estava ele, sentado, sozinho naquele finalzinho de céu. O vento levava seus pensamentos e as vezes trazia um pouco de areia para seus olhos fixos naquela imensidão de água. Algumas lágrimas caiam, um oceano de choro na verdade, uma mistura entre pingos d'agua e gotas dos olhos. Uma breve intervensão nos grãos secos de areia.
19 anos, um rapaz novinho, com uma vida de sonhos e vivencias pela frente. Interrompidos tão drasticamente. Eu queria sentar ao seu lado, lhe abraçar, conforta-lhe a dor e dizer-lhe palavras bonitas. Enxugar suas lágrimas, estender a mão e lhe acender o coração. De alguma forma eu tinha vontade, muita vontade de estar perto dele e faze-lo entender que a vida continua e qualquer filosofia barata e momentanea que lhe trouxesse algum alivio.
Mas no fim das contas, continuei de longe só observando seus pensamentos. Acho que ninguem era capaz de entender sua dor, perder um coração e continuar com ele vivo em voce, é muito confuso. Eu sabia que ele não tinha mais nenhuma chama acesa dentro dele, só havia tristeza, desilusao, um vazio imenso e um coração batendo fracamente.
O seu nome era Augusto, estudante de administração, finalizando o segundo semestre da faculdade, estava namorando há 4 anos com Ana. Os dois pretendiam se casar depois de concluirem os estudos, faziam planos e planos para uma vida a dois. Ela era uma garota apaixonada por ele, imagine todo amor do mundo, é pouco. Já Augusto, deixou duvidas quanto a isso, enquanto Ana viajava para Miami com sua familia, pos-se a cometer seu maior erro, deixou seu instinto de homem aflorar e deu a ela, uma bela traição. Não entendo como pode, sempre me pareceu perdidamente apaixonado por Ana... Suas palavras, seus gestos, seus sonhos, todos em volta dela. Por que esse deslize? Por que Augusto? Eu me perguntava, enquanto sua mente fixa naquele mar interminavel tambem se fazia a mesma pergunta.
Dois meses se passaram enquanto Ana se divertia em Miami, até que era hora de sua volta. Augusto planejava lhe contar, afinal, ele era homem suficiente pra assumir as consequencias e tinha consciencia do seu amor por Ana e mil outras razões que nao vou ficar citando. O vôo estava previsto para aterrizar as 19:20.
Eram 23:49 do dia 26 de setembro quando ele recebeu a noticia, Ana não chegaria e com ela todos os sonhos se foram.
Augusto não era mais um homem, era um menino. Parecia uma criança amendrotada, tentando fugir de todos seus medos, no maior caos consigo mesmo. Fazia dois dias que ele continuava naquela praia, olhando sempre pro horizonte. O sentimento de culpa o remoia por dentro, ele sabia que por todo sempre, carregaria uma espera ...
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