segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

olhos fechados.

Havia sangue, muito sangue, choro, muito choro, gente, muita gente, confusão, muita confusão. Havia um corpo no chão, alguns detalhes e uma cena extremamente melancolica.
Ela tinha 17 anos, nao sei se foram dezessete anos exatamente  felizes mas a ela nunca faltou nada, não aparentemente. Tinha boas condições, escola conceituada, notas regulares, bons amigos e nunca foi privada de alguns luxos. Havia terminado um namoro de 2 anos mas entendia que a vida não parava por ninguem, afinal, ela é exclusivamente unica e pertecente a quem a vive e não se mostrava muito abalada, nao fisicamente.
Me lembro da ultima vez que a vi, estava segurando um livro, falando no celular com uma amiga e com um olhar meio perdido. Essa foi a ultima memoria. Mas antes dessas eu lembro de muitas outras, lembro de suas crises frequentes, seus transtornos, seus medos, angustias e de sua depressão mesmo que branda. Ela não era nenhuma garota sofrida mas lidava sempre com disturbios emocionais, um pouco fora do controle talvez. Nada muito grave, não se olharmos superficialmente. Porque quem convivera com ela, com certeza sabia de sua consciencia tranquila e que apesar de todo estresse ela era uma menina controlada.
Aquele quarto cheio de cores, ares, pessoas, soprava a mesma pergunta "Por que suicidio?". A mãe dela definhava ao lado de seu corpo, seu pai chorava lágrimas secas, sua familia parecia não acreditar. Os amigos começavam a saber e começavam a lamentar, era uma tristeza profunda tomando conta de todo o ambiente em que ela se deixou viva. Só ela poderia responder essa pergunta.
E por favor, não julguem como um ato egoista, eu entendo e voces tambem deveriam entender. Tentativas forçadas trazem somente um conforto provisório, provido de ilusão. Pensem que era o que ela desajava e se  não suportou, não eramos nós a carregarmos para sempre uma outra vida nas nossas. Um coração partido visto através de uma alma corrompida não pressupõe muito, sua intenção ao se matar nunca foi parti tantos outros corações.

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