A vida vale enquanto dura? Por que tempo? Para que pressa? Afinal, o que estamos vivendo? Minha madrugada se definhava em meio ao meu desespero. Eu chorava, me encolhia no cobertor, tentava me proteger dos meus proprios medos. Me encontrava sem música, amparo, palavras, coragem e abandonada por mim mesma.
Procurava nos cantos silenciosos da noite, vestigio de vida. Nenhum som que aflorasse minha imaginação e me carregasse novamente para o medo... Precisa de palavras vivas, um conforto qualquer. Foi uma madrugada intensa, desenhada entre choros e arranhões. Tentei arrancar-me sangue, a dor que me torturava, me trazia algum alivio. "Sangre sua filha da puta, sangre" meu corpo correspondia.
Acabei por atracar novamente em um velho porto, conhecido há anos. Estava minha mãe me abraçando e me perguntando o que havia acontecido... Não havia acontecido nada, toda hora isto acontece, mas preferi me silenciar e deixar a musica escorrer minhas ultimas lágrimas tão pesadas.
O amor é uma desgraça, é ele quem está fazendo isto comigo... e eu não consigo fazer nada.
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